Só faltam eles correrem sozinhos!
Os tênis de corrida neste post foram selecionados em
meio a centenas de marcas e modelos por uma razão:
além de terem o repertório básico de qualquer bom
calçado do gênero, eles são os mais avançados em
tecnologia.
A lista foi consenso entre quatro especialistas
consultados por VEJA, entre eles treinadores, médicos
desportistas e o americano Ray Fredericksen, ligado
ao laboratório da Universidade de Michigan, cuja área
de pesquisa há vinte anos é justamente a biomecânica
dos tênis. Todas as tecnologias avaliadas são
indicadas para esportistas amadores afeitos às
corridas de longa distância, algo como 4 milhões de
brasileiros. Os atletas profissionais, afinal, preferem tênis
com menos aparatos, porém mais leves. Segundo a análise
do grupo, nenhum deles deixa de cumprir com suas promessas
de proporcionar mais amortecimento, conforto ou, em
certos casos, até a melhora no desempenho do atleta.
Os especialistas jogam luz, no entanto, sobre um
outro lado da questão: às vezes, tais efeitos são tão
sutis que não chegam a fazer diferença relevante na
prática. Eis as avaliações.
Sistema de ajuste de pisada
O que promete: reduzir o impacto sofrido pelo corpo durante o exercício e melhorar o desempenho do atleta na corrida;
Como funciona:
por meio de um sistema mecânico, o tênis altera
a pisada: em vez de o corredor encostar primeiro o
calcanhar no chão – caso de 80% das pessoas –, ele
passa a tocar a pista com a parte anterior do pé.
Esse tipo de movimento imita a corrida com os pés
descalços, de menor impacto;
Comentário dos especialistas:
antes de encarar longas distâncias com esse tênis, o
mais indicado para o corredor é que tente se adaptar
a ele gradativamente – sem isso, o esforço exigido
de músculos e ligamentos que não costumam ser
acionados pode causar lesões. Com um treino prévio, o
calçado de fato diminui o impacto do exercício no
corpo. Quanto à melhora na performance, ela será
insignificante para atletas amadores;
Modelo indicado: Newton
Running Gravity (ainda não está à venda no país, mas
é possível comprá-lo por meio do site www.newtonrunning.com – sai por 545 reais, incluindo a taxa de envio ao Brasil e o imposto de importação*).
Amortecimento em gel com resina estabilizadora
O que promete:
basicamente, o mesmo que qualquer outro tênis de
corrida: proporcionar, ao mesmo tempo, uma pisada macia e
firme – duas características aparentemente excludentes,
ambas fundamentais;
Como funciona:
duas cápsulas de gel, uma na parte da frente do
tênis e a outra sob o calcanhar, são responsáveis
pelo amortecimento. A outra diferença em relação
aos demais modelos é que, nesse caso, uma espécie
de resina plástica reveste o gel, de modo a evitar que
ele se comprima – e, com isso, deixe a pisada macia
demais;
Comentário dos especialistas:
cumpre exatamente com aquilo que promete. Nenhum
outro tênis no mercado consegue combinar tão bem
maciez e firmeza;
Modelo indicado: Asics Gel Kayano 14 (500 reais).
Entressola com Mogo
O que promete: mais conforto e durabilidade em comparação com os outros tênis do mercado;
Como funciona:
o MoGo, um tipo de liga plástica, reveste a
entressola do tênis – algo normalmente feito com EVA,
uma espécie de espuma;
Comentário dos especialistas:
a troca de um material pelo outro de fato confere a
sensação de conforto prometida. Quanto à longevidade
do tênis, pesquisas mostram que, com o MoGo, o
desgaste é 33% menor;
Modelo indicado: Brooks Trance 7 (500 reais)
Amortecimento "inteligente"
O que promete:
ajustar automaticamente o amortecimento ao longo da
corrida, de acordo com a velocidade do atleta, o tipo
de terreno e a inclinação da pista – o que reduziria
o impacto do exercício e o risco de lesão;
Como funciona:
um sensor instalado sob o calcanhar mede o impacto
sofrido pelo pé quando toca o chão. Essa informação
é transmitida a um microprocessador programado para
avaliar se o amortecimento está adequado. Caso seja
necessário, ele ativa um sistema mecânico capaz de
aumentar ou diminuir a absorção do impacto;
Comentário dos especialistas:
o sistema funciona como o prometido, mas, na
prática, a diferença é tão pequena que não se traduz
em um ganho relevante para esportistas amadores –
eles podem ser beneficiados, em medida semelhante,
por amortecedores bem mais simples (e baratos);
Modelo indicado: Adidas 1.1 (800 reais)
Amortecimento centralizado
O que promete:
fornecer amortecimento para um grupo específico de
corredores – os 20% que encostam primeiro a parte do
meio do pé no chão. Com isso, o tênis reduziria o
risco de lesões e duraria mais;
Como funciona:
o sistema de amortecimento do tênis, quase sempre na
região do calcanhar, nesse caso foi instalado no
meio do calçado;
Comentário dos especialistas:
esportistas com tal estilo de corrida passam a
correr menos risco de lesões. E têm um calçado mais
duradouro, uma vez que a região do meio do pé, onde o
desgaste é naturalmente maior nesse caso, ganha
proteção extra;
Modelo indicado: New Balance MR/WR 800 (400 reais – será lançado no Brasil em agosto).
Entressola com EVA
Como funciona: o EVA, um tipo de espuma, reveste a entressola do tênis;
Comentário:
a sensação ao usar o tenis é de estar usando apenas uma meia com
solado. Suas poucas costuras revelam liberdade ao pisar no solo, sejam
esses pisos rígidos ou macios, causando a sensação de conforto
prometida. Quanto à longevidade do tênis confere uma altíssima resistência, durabilidade, flexibilidade e leveza. Em media o EVA é 40% mais leve que o P.U, 30 % e até 80% mais leve que a borracha.A
palmilha é confeccionada em EVA (sua composição é 89%
EVA e 11% Poliamida) com espessura de 4mm e com forro antimicrobiano ;
Modelo indicado: Sprint Tenis (150 reais)
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Erro comum
A apresentadora de televisão Tatiana Dumenti,
23 anos, corre três vezes por semana. Ela
costumava sentir dores no joelho e descobriu
que o fato de nunca aposentar seu velho par de
tênis contribuía para isso: "Não sabia que ele tinha prazo de validade. O tênis ainda parecia novo"
|
* Os preços publicados nestas páginas expressam a média do mercado
Cartilha básica
Os
especialistas chamam atenção para três
informações imprescindíveis sobre qualquer
tênis de corrida:
1- pisada
Cada modelo é confeccionado para um tipo de
pisada – sem considerar isso, o corredor pode
acabar pagando caro por um par que não lhe
sirva. São três as pisadas. A mais comum é para
dentro (pronada), seguida pela neutra. Os
cinco modelos ao lado são indicados para esses
dois grupos. Apenas 10% das pessoas têm a
pisada para fora (supinada). Para tirar isso a
limpo, vale consultar um médico ou fazer uso de
um aparelho específico, disponível em algumas
lojas.
2-Como usar
Depois de uma corrida, o amortecimento do
tênis está comprimido e deformado – e, para
voltar ao normal, precisa de 24 horas sem uso.
Quem corre todo dia, portanto, deve considerar a
compra de um segundo par.
3-Quando aposentar o tênis
O
amortecimento de um tênis vai se desgastando
conforme o uso – até não fazer mais efeito
nenhum. Embora os fabricantes digam que isso
aconteça por volta dos 500 quilômetros de
corrida, os especialistas consultados por VEJA
garantem que um bom amortecimento resiste a
cerca de 1 000 quilômetros. É bom tomar nota
num papel.
Em www.linhadechegada.com você pode fazer esse controle através dos registros de treinos e corridas. Basta se cadastrar e é gratuito!
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Especialistas consultados: Cláudio de Araújo (médico da Universidade Gama Filho), Cláudio Castilho (treinador), José Telles (maratonista), Moisés Cohen (médico da Unifesp), Ricardo D’Ângelo (treinador), Samir Daher (traumatologista)(Runner’s World Shoe Laboratory) e Todd Peapody
Com reportagem de Camila Pereira e Renata Moreira
MATÉRIA NA INTEGRA EM:


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